Caracterização do perfil das intoxicações por plantas entre as mesorregiões do estado da Paraíba

Autores

DOI:

https://doi.org/10.48017/dj.v6i4.1936

Resumo

RESUMO: As intoxicações por plantas constituem um sério problema de saúde pública na Paraíba. Assim, o objetivo deste estudo é caracterizar o perfil epidemiológico e sociodemográfico dos indivíduos intoxicados por plantas em cada mesorregião do estado da Paraíba, durante o período de 2010 a 2019. Trata-se de um estudo descritivo, realizado por meio de uma investigação transversal, retrospectiva e quantitativa de dados provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Durante o período analisado, aumentou 18 vezes o número de notificações por intoxicações com plantas, resultando no total de 135 casos. As duas mesorregiões que apresentam os maiores números foram a Mata Paraibana (27,3±41,3) e Agreste Paraibano (41,0±0). O maior número de registros ocorreu entre o público infantil, com uma maior predominância de notificações no grupo entre 1 a 4 anos (31,8%), com ascendência para o sexo masculino (54,0%) e para etnia parda (58,5%). Quanto ao índice de escolaridade, 8,1% dos casos possuíam o ensino fundamental incompleto. Para diagnóstico, o critério clínico foi o mais utilizado (45%) e na maioria dos casos (76%), houve a cura sem sequelas, mesmo com 54% das notificações, de fato, serem quadros de intoxicação. Relativo à circunstância da intoxicação, 72% aconteceram acidentalmente. Depreende-se, portanto, que as intoxicações por plantas são frequentes e representam um impasse a ser amenizado, o qual necessita de ações preventivas e educativas com foco na conscientização dos cidadãos paraibanos.

PALAVRAS-CHAVE: Intoxicação exógena, Plantas tóxicas, Epidemiologia.

 

ABSTRACT: Plant poisoning changes a serious public health problem in the state of Paraíba. In view of this, the objective was to characterize the epidemiological and sociodemographic profile of those intoxicated by plants in each mesoregion of the state of Paraíba during the period from 2010 to 2019. This is a descriptive study through a cross-sectional, retrospective and quantitative investigation of data from the Notifiable Diseases Information System (SINAN). During the period analyzed, the number of notifications for poisoning with plants increased 18 times, available in a total of 135 cases. As two mesoregions with the highest numbers were Mata Paraibana (27.3 ± 41.3) and Agreste Paraibano (41.0 ± 0). The greatest number of records occurred among the child audience, with a greater predominance of notifications in the group between 1 to 4 years old (31.8%), with ascendancy for males (54.0%) and for mixed race (58, 5%). As for the level of education, 8.1% of the cases had incomplete primary education. For diagnosis, the clinical criterion was the most used (45%) and in most cases (76%), there was a cure without sequelae, even with 54% of the notifications, in fact, being cases of intoxication. Regarding the circumstance of intoxication, 72% happened accidentally. It appears, therefore, that plant intoxications are listed and represent an impasse to be mitigated, which requires preventive and educational actions focusing on the awareness of Paraiba citizens.

KEYWORDS: Exogenous intoxication, Toxic plants, Epidemiology.

Referências

ARAÚJO, M. R. S.; OLIVEIRA, M. E. Plantas medicinais: riscos por uso indiscriminado. In: 11º Simpósio Brasileiro de Educação Química. 2013.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan: normas e rotinas, 2. ed. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2007.

BRITO, N. C. Perfil de utilização e fatores associados ao uso de plantas medicinais em pessoas com diabetes mellitus em Minas Gerais, Brasil. 2015 100 f. Dissertação (Mestrado em Medicamentos e Assistência Farmacêutica) – Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte: 2015.

CAMPOS, S. C. et al. Toxicidade de espécies vegetais. Revista Brasileira de plantas medicinais, v. 18, n. 1, p. 373-382, 2016.

CARNEIRO, A. L. C.; COMARELLA, L. Principais interações entre plantas medicinais e medicamentos. Revista Saúde e Desenvolvimento, v. 9, n. 5, p. 4-19, 2016.

COELHO, A. P. et al. Perfil epidemiológico das intoxicações por plantas tóxicas no estado do Mato Grosso entre os anos de 2008 a 2017. Caderno de Publicações Univag, n. 09, 2018.

COSTA, A. R. F. C. et al. Uso de plantas medicinais por idosos portadores de hipertensão arterial. Revista de Ciências da Saúde Nova Esperança, v. 17, n. 1, p. 16-28, 2019.

CRUZ, V. M. et al. Aspectos socioeconômicos e o cultivo de plantas medicinais em quintais agroflorestais urbanos (QAF) no município de Breu Branco, Pará, Brasil. Enciclopédia Biosfera, v. 14, n. 25, 2017.

FERREIRA, P. A. et al. Análise das intoxicações exógenas por alimentos no estado do Espírito Santo. Revista Brasileira de Pesquisa em Saúde/Brazilian Journal of Health Research, v. 21, n. 3, p. 68-76, 2019.

GIORDANI, C. et al. Plantas com potencial medicinal e tóxico em comunidade atendida pelo Ambulatório Veterinário-UFPel. Rev. bras. ciênc. vet, p. 126-132, 2016.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2016-2019. Educação 2019, 2020.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - PNAD Contínua 2012-2019. Cor ou raça, 2020.

LEAL, C. B.; SILVA, I. S.; VELOSO, L. C. Perfil epidemiológico e incidência das vítimas de suicídios no Brasil. Research, Society and Development, v. 9, n. 10, p. e7989109256-e7989109256, 2020.

MACHADO, R. et al. Avaliação sobre o conhecimento do uso de plantas medicinais em dois grupos de idosos. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 7, n. 2, 2016.

MACIEL, J. M. M. P. et al. Análise retrospectiva das intoxicações por plantas no brasil no período de 2000-2015. Revinter, v. 11, n. 03, p. 74-86, 2018.

MARTINS, T. D.; GERON, V. L. M. G. Plantas ornamentais tóxicas: conhecer para prevenir acidentes domésticos. Revista Científica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente, v. 5, n. 1, p. 79-98, 2014.

MENDES, A. S. V. A relação homem-natureza através dos tempos: a necessidade da visão transdisciplinar como fundamento do direito ambiental. Anais do XIX Encontro Nacional do CONPED, 2010.

MENEZES, A. F. et al. Uso de plantas medicinais relatado pelos idosos de um projeto de extensão: relato de experiência. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 9, n. 3, 2017.

MESSIAS, M. C. T. B. et al. Uso popular de plantas medicinais e perfil socioeconômico dos usuários: um estudo em área urbana em Ouro Preto, MG, Brasil. Revista brasileira de plantas medicinais, v. 17, n. 1, p. 76-104, 2015.

MONSENY, A. M. et al. Poisonous plants: An ongoing problem. Anales de Pediatría (English Edition), v. 82, n. 5, p. 347-353, 2015.

MOREIRA, R. F. et al. Ocorrência de plantas medicinais e tóxicas em residências de escolares e seu impacto sobre a saúde. Amazônia: Science & Health, v. 2, n. 2, p. 35-43, 2014.

NAKAJIMA, N. R. et al. Análise epidemiológica das intoxicações exógenas no Triângulo Mineiro. Brazilian Journal of Health and Biomedical Sciences, v. 18, n. 2, 2019.

PACHÊCO, N. M. D. Uso de plantas medicinais, obtenção, acondicionamento e preparo de remédios por idosas. Sociedade brasileira de geriatria e gerontologia. v.4, n.4, 2013.

PATROCÍNIO, D. C. B. et al. Análise epidemiológica dos casos de intoxicações exógenas por plantas medicinais no estado da Paraíba. Research, Society and Development, v. 9, n. 7, p. e855975011-e855975011, 2020.

PEREIRA, A. R. A. et al. Uso tradicional de plantas medicinais por idosos. Rev Rene, v. 17, n. 3, p. 427-434, 2016.

PINHEIRO, J. A. S. et al. Hepatotoxicidade de plantas medicinais e produtos herbais. Referências em Saúde da Faculdade Estácio de Sá de Goiás-RRS-FESGO, v. 3, n. 1, p. 132-137, 2020.

SANTOS, B. C. M. et al. Percepção dos idosos sobre plantas tóxicas. Enciclopédia biosfera, Centro Científico Conhecer, v. 11, n. 22, p. 3737, 2015.

SILVA, A. B. et al. O uso de plantas medicinais por idosos usuários de uma unidade básica de saúde da família. Rev Enferm UFPE [Internet], v. 9, p. 7636-43, 2015.

SILVA, L. A. et al. Perfil epidemiológico das intoxicações por plantas tóxicas e domissaneantes notificadas em Goiás no período de 2011 a 2015. Rev. Educ. Saúde, 2018.

SILVA, L. R. R. et al. Plantas tóxicas: conhecimento de populares para prevenção de acidentes. RevInter, v. 7, n. 2, p. 17-36, 2014.

SILVA, M. I.; OLIVEIRA, H. B. Desenvolvimento de software com orientações sobre o uso de plantas medicinais mais utilizadas do sul de Minas Gerais. Brazilian Applied Science Review, v. 2, n. 3, p. 1104-1110, 2018.

SILVA, M. N.; FERREIRA, M. M. M. N.; VIANA, M. R. P. Perfil da morbimortalidade de adolescentes por intoxicação exógena no Brasil. Research, Society and Development, v. 9, n. 10, p. e6349108914-e6349108914, 2020.

SILVA, R. L. F. et al. Perfil epidemiológico das intoxicações exógenas na cidade de Juiz de Fora-MG. HU Revista, v. 43, n. 2, p. 149-154, 2017.

SISENANDO, H. A.; OLIVEIRA, M. F. Plantas Tóxicas: um Risco Quase Invisível à Saúde Infantil. UNICIÊNCIAS, v. 21, n. 2, p. 115-119, 2017.

SOUZA, D. R.; RODRIGUES, E. C. A. M. S. Plantas medicinais: indicação de raizeiros para o tratamento de feridas. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, v. 29, n. 2, 2016.

TAVARES, E. O. et al. Fatores associados à intoxicação infantil. Escola Anna Nery, v. 17, n. 1, p. 31-37, 2013.

TEIXEIRA, J. P. S. et al. Perfil epidemiológico dos casos de intoxicação por plantas medicinais no Brasil de 2012 a 2016. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 10, p. 82199-82209, 2020.

VASCONCELOS, J.; VIEIRA, J. G. P.; VIEIRA, E. P. P. Plantas tóxicas: conhecer para prevenir. Revista Científica da UFPA, v. 7, n. 1, p. 1-10, 2009.

Downloads

Publicado

2021-10-19

Como Citar

Silva, K. K. de F., Silva, B. H. M. da, Andrade Júnior, F. P. de, & Dantas, B. B. (2021). Caracterização do perfil das intoxicações por plantas entre as mesorregiões do estado da Paraíba. Diversitas Journal, 6(4), 3967–3987. https://doi.org/10.48017/dj.v6i4.1936