A euforia do mercado imobiliário em Maceió após desastre socioambiental provocado pela Braskem
DOI:
https://doi.org/10.48017/dj.v10i1.2806Palavras-chave:
Subsidência do solo, Mineração, Deslocamentos forçadosResumo
Ante o caso da cidade de Maceió, que enfrenta uma subsidência (afundamento) de solo, em ao menos 5 bairros, decorrente da exploração desenfreada de sal-gema pela mineradora Braskem, o mercado imobiliário, que vinha arrefecido pelo cenário econômico nacional e ensaiava uma tímida retomada em 2019, depois da apreensão inicial com o decreto da pandemia no começo de 2020, viu-se numa curva ascendente de valorização com o avanço dos pagamentos das compensações financeiras, fruto de acordo firmado entre empresa, Ministério Público Estadual e Federal e Defensoria Pública do Estado e União. Este artigo objetiva analisar as reações do mercado imobiliário após anúncio do acordo, tanto no mercado de aluguel, como no mercado de vendas, a fim de verificar o atendimento às demandas reais por moradia da população atingida pelo desastre. Para tanto foram consultados relatórios da APSA, Panoramas do Mercado Imobiliário divulgados pelo Sinduscon, bem como Índices FipeZAP, sendo observados números de lançamentos de imóveis, ofertas, vendas, locação e tipologias disponíveis. Com isso, observa-se uma alta imediata no preço de aluguéis, seguida de uma alta no preço do metro quadrado. No entanto, incita-se atenção para uma oferta expoente de apartamentos quarto sala, que não responde à demanda repentina oriunda dos deslocamentos.
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