Tempo, sentido e travessia: considerações sobre os ritmos da experiência
DOI:
https://doi.org/10.48017/dj.v11i3.4127Palavras-chave:
educação política dos sentidos, paisagem, infância, Tempo, SentidoResumo
Este artigo investiga as relações entre tempo e sentido como formas de habitar o mundo e de ser afetado por ele. Partindo de uma perspectiva fenomenológica, decolonial e crítica, propõe uma compreensão do tempo para além da cronologia linear e do sentido para além da lógica da direção e do comando. Em diálogo com Heidegger, Merleau-Ponty, Rancière, Arendt, Isabelle Stengers, Rudolf Steiner, Ailton Krenak e autores das epistemologias do Sul, argumenta-se que tempo e sentido constituem dimensões encarnadas da experiência, inseparáveis do corpo, da paisagem e do território. O artigo explora a noção de travessia como categoria articuladora entre temporalidade e sensibilidade, destacando o papel do ritmo, da memória, da escuta e da presença na produção de modos plurais de existir. Discute ainda a educação política dos sentidos como prática de formação ética, estética e política capaz de resistir à racionalidade instrumental, à aceleração do tempo e à colonização das formas de sentir. Ao reivindicar o direito ao incompressível e ao reconhecer a centralidade do sensível na constituição do comum, o texto propõe uma reflexão sobre a experiência como campo de abertura, criação e transformação, contribuindo para os debates contemporâneos sobre paisagem, educação, política e corporeidade.
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